Tento escrever sobre música.
Começo, desisto.
Milhares de folhas de papel se entulham em meu quarto.
Milhares de folhas, entulhadas de pontos e linhas.
Pautas.
Transcrições em pentagramas, de sentimentos que antes não existiam.
Não antes do músico criá-los dentro de si e conduzí-los, fluindo, ao papel.
São milhares de músicas que talvez eu nunca venha a escutar.
Talvez morram no anonimato.
Mas é só ver escrito um nome
(Villa-lobos, Bach, Beethoven)
e logo tenho certeza:
são poetas que, como eu, frustram-se
pois sabem que nunca conseguirão
(nunca conseguiremos)
traduzir com palavras
toda a emoção
que contém
as partituras...
quarta-feira, 2 de abril de 2008
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