segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Qualquer dia desses, de manhã, ao acordar,

vou me lembrar dos meus sonhos por uns minutos...

E a brisa tênue que eles serão nos meus pensamentos

será como um furacão na minha cabeça

misturando tudo, derrubando essa cidade...

Mas não restarão ruínas.

Da tormenta nascerá uma floresta,

e lá vou encontrar meu pai, meu guia,

me mostrando o não-sentido da vida,

que, como o tufão que nos criou,

corre em todas as direções, em todos os sentidos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Uma tentativa desesperada de melhorar o mundo.

Um cientista especialista em errar o próprio rumo.

Um cara que chega, olha e sai.

Que pára, analisa, reprisa e vai.

Pedestre cansado de andar a pé.

Motorista exaustado de guiar até

até que ao chegar e morrer de cansaço

percebe que a vida não deu nem um passo.

Respiro fundo...

Nas asas do sono conquisto a Terra...

E tal qual um míssil que nunca me erra,

o despertador me arremessa de volta

pra vida, rotina, contínua e torta.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Esse não sou eu

Nunca consegui escrever meu nome direito.
Sempre me foi negada certa coerência,
certo padrão ao rubricar.
Mãos trêmulas
flashes
milhões de imagens de mim mesmo,
caneta à mão,
tentando assinar qualquer papel que fosse,
importante ou não.

Falta-me firmeza, segurança.

Pra falar a verdade, nem sei como é que se assina certo.
Certeza, tenho, de nunca sertir-me eu ao assinar.

Qualquer dia ainda sou preso por falsificar a minha própria assinatura.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Partituras

Tento escrever sobre música.
Começo, desisto.
Milhares de folhas de papel se entulham em meu quarto.
Milhares de folhas, entulhadas de pontos e linhas.
Pautas.
Transcrições em pentagramas, de sentimentos que antes não existiam.
Não antes do músico criá-los dentro de si e conduzí-los, fluindo, ao papel.

São milhares de músicas que talvez eu nunca venha a escutar.
Talvez morram no anonimato.
Mas é só ver escrito um nome

(Villa-lobos, Bach, Beethoven)

e logo tenho certeza:
são poetas que, como eu, frustram-se
pois sabem que nunca conseguirão

(nunca conseguiremos)

traduzir com palavras
toda a emoção
que contém
as partituras...

domingo, 30 de março de 2008

Sexta

Sou alto pra você achar que eu sou enorme.
Serei calmo pra você achar que tá tudo sobre controle.
Estarei atento pra você achar que é seguro.
E depois que você achar tudo isso,
e descobrir que sou só humano,
morreirei por ti, pra você saber que te amo.

domingo, 16 de março de 2008

Forth coming

Tão frágil, tão frágil
que qualquer chute me derruba
que qualquer dor me consome
que qualquer filme me emociona
que qualquer beijo me apaixona.

sábado, 8 de março de 2008

Impressões Metropolitanas

Ei, silêncio!
Escute as sinfônicas buzinas
que tocam num tom apocalípticamente Wagneriano.
Abre bem os teus olhos para o colorido das fumaças,
a desenvoltura de seu vôo,
a beleza que vem das fornalhas.

Entardecer na cidade pastel,
um prelúdio para as psicodélicas cores piscantes
dos outdors,
out of my door
grudadas na minha retina
como uma ordem,
irresistível e incontível,
e de indubtável razão e eloqüência.

Te encontro no bar
Te procuro nas vitrines,
atrás do balcão.
Te bebo.
Te peço:
Fecha meus olhos!
para a livre cidade proibida...